Publicado por: Bira | 06/08/2009

Com seis flagrados, atletismo nacional quebra recorde de doping

A delegação brasileira de atletismo que vai disputar o Mundial de Berlim, entre os dias 15 e 23 deste mês, é protagonista do maior flagrante de doping da história nacional numa mesma modalidade.

Entre os 45 classificados, seis foram flagrados no antidoping. Isso significa quase um terço do total dos atletas flagrados desde 2003, quando os exames começaram a ser feitos no Brasil de acordo com as normas da Agência Mundial Antidoping.

Ontem, a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) anunciou que os exames das amostras “A” de Bruno Lins e Jorge Célio (ambos dos 200 m e 4 x 100 m), Josiane da Silva (4 x 400 m), Luciana França (400m com barreiras) e Lucimara Silvestre (heptatlo) –todos da Rede Atletismo– deram resultado positivo para a substância EPO. Na última semana, Lucimar Teodoro (400m com barreiras) havia sido flagrada.

Os exames foram feitos em um teste-surpresa, dia 15 de junho, em Presidente Prudente.

O resultado dos exames foi enviado segunda-feira pelo laboratório Armand Frapier, credenciado pela Iaaf –entidade que gerencia o atletismo–, em Montréal, no Canadá.

Os atletas, que estavam com os demais integrantes da delegação brasileira treinando na Alemanha, desistiram da confidencialidade e solicitaram a análise das amostras “B”, a contraprova. Eles retornaram ontem ao Brasil, onde consideram que terão mais subsídios para apresentar a defesa.

A confederação vai abrir um inquérito administrativo para a apuração dos fatos. A suspensão dos atletas pode variar entre dois a quatro anos.

A Rede Atletismo também vai abrir uma sindicância para apurar o fato. “Torço por isso [uma falha nos exames], mas acho muito difícil ter acontecido”, afirmou Marcos Coreno, diretor técnico da Rede.

Pouco antes de anunciar o doping, a CBAt, curiosamente, havia divulgado um comunicado com explicações detalhadas sobre a metodologia adotada nos exames antidoping.

Em dezembro do ano passado, a Iaaf criticou a atuação da CBAt em relação à estratégia de combate ao doping. Na ocasião, Chris Butler, diretor do Departamento Médico e de Antidoping da Iaaf, disse que a Anad (Agência Nacional Antidoping), órgão ligado à CBAt, cometia um erro ao concentrar exames durante competições.

Em 2008, houve cerca de 320 análises: 98% em eventos oficiais e 2% fora do ambiente de competição. Só quatro atletas tiveram de passar por testes durante seus treinamentos.

Neste ano, após as críticas, o número de testes aumentou significativamente. Somente em sete meses, foram realizadas 353 análises. O número de testes fora de competição cresceu mais ainda. Em 2009, foram 61 (ou 17%).

“É um número significativo de atletas [flagrados]. Isso é resultado do nosso trabalho, que tem se focado em testes qualitativos”, disse Thomaz Mattos de Paiva, advogado da CBAt, que estima que, após o teste ser feito no Canadá, o resultado deva sair em duas semanas.

Com a saída dos atletas, a delegação brasileira fica enfraquecida. para o revezamento 4 x 100 m. Lins e Cena serão substituídos por Ailson Feitosa e Nilson de Oliveira.

Para o lugar dos técnicos Jayme Netto Junior e Inaldo Justino de Sena, que também retornaram ao Brasil, foi chamado Adriano Vitorino, mas recusou.

JOSÉ EDUARDO MARTINS
MARIANA BASTOS
da Folha de S.Paulo
http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u604942.shtml

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