Publicado por: Bira | 25/05/2010

XXVII Maratona de Porto Alegre – Resultado

Dia 23 de maio de 2010 é uma data que me lembrarei por muito tempo. Final do ano passado me empolguei com o pessoal da assessoria e resolvi participar também da Maratona de Porto Alegre. Mas eu, que nem tinha feito minha primeira meia ainda, queria pensando em maratona? Pois é… poderia ser um sonho, mas virou realidade!

Foi um treinamento de 3 meses específico para a maratona, fora o treinamento anterior para a meia da Disney, um treinamento quase que sequencial. Um treinamento duro, difícil e que requer dedicação, mas que com certeza agora eu posso falar: “valeu a pena!”

Viajei dois dias antes para Porto Alegre, e na sexta fui passear em Gramado e aproveitar o famoso Café Colonial de lá. No sábado tive um dia mais de descanso, e de noite saí para jantar com o pessoal da assessoria. Voltamos cedo, pois tinhamos que descansar para o longo dia que viria no domingo.

E muito rápido ele chegou. 05:00 da madrugada meu despertador estava tocando. Já tinha separado todo o material da corrida. Chip, número de peito, gel, sal, roupa, tênis… tudo em cima da mesa. Tomei um café leve no hotel, que devido a maratona, antecipou o horário do café. A ansiedade já estava demais, mas estava tentando manter a calma. Como o hotel era muito perto da largada, saí somente às 06:15.

Ao chegar lá fui procurar o pessoal da equipe, o que é bem fácil de achar devido a cor da camisa! Na procura, encontrei Adriano e desejei uma boa prova para ele. Encontrei o pessoal e ficamos ali, conversando e só esperando a largada. Às 07:00 foi dada a largada feminina, às 07:10 a largada dos cadeirantes e às 07:15 em ponto foi dada a largada masculina. Estávamos bem próximos do pórtico de largada, então muito rápido passamos pelo tapete inicial. A partir daquele momento iriam faltar somente 42,195 km para serem percorridos.

E esses quilômetros foram passando. Tentei manter uma velocidade constante, alternando o mínimo possível entre os quilômetros. Como as ruas são bem largas não tive problema de congestionamento e pude correr livre. Também controlei muito meu batimento cardíaco. Não queria exagerar. O importante para mim era chegar, e chegar bem! Perto do km 5 estava Luzinete apoiando a gente e próximo do quilômetro 8 passamos pela rua da largada, e lá estavam Erika e Totô. Pose para fotos, segui em frente! Passou muito rápido esse trecho, e eu já estava pensando que pelo quilômetro 20 passaria por ali novamente e teria esse apoio!

E fomos adentrando Porto Alegre. Passamos por algumas regiões que o trânsito estava um pouco complicado. A EPTC (empresa de controle de transito) deve ter tido um trabalhinho, visto que tinham alguns motoristas impacientes buzinando e com bastante pressa. Mas deu tudo certo, e fomos seguindo. Quilômetro por quilômetro! E lá estou eu novamente perto do ponto de apoio que parecia tão distante… o km 20! Erika e Totô me deram água de coco, o que ajudou bastante. E continuei seguindo, e parecia que a prova estava começando para mim naquele momento. Estava muito bem, e segui assim até o km 32, aproximadamente.

E não é que o tão falado muro existe mesmo? Não foi algo de eu parar, mas eu vi minha velocidade caindo aos poucos. Tirei o pensamento da cabeça e segui! No km 35 tomei meu último gel, coloquei a pastilha de sal na boca para evitar cãibras e fui pensando só na chegada. No 38 encontrei Denis, que me deu mais um apoio e me avisou que tinha água mais para a frente. A garganta já estava seca, e eu já estava começando a entrar no modo automático. Quando chegou o 39 tinha um posto de isotônico. Eu que tinha evitado fugir do meu treino e não tinha tomado nenhum no percurso não resisti… peguei aquele copo com um líquido azul (pois é… logo o que fui pegar era azul!) e resolvi nesse momento caminhar enquanto bebia. Foi uma idéia boa, mesmo eu tendo relutado a todo custo caminhar. Queria fazer ela completa correndo, mas sabia que estava muito próximo da exaustão. Levei uns 15 segundos bebendo o isotônico, e assim que acabei voltei a correr.

Um quilômetro depois veio o último posto de água. Mais alguns segundos caminhando e voltei para o trote. Ao chegar no 41 a emoção começou a bater mais forte. Tive que segurar as lágrimas. Cheguei no 42! Vi minha esposa lá tirando foto, vi a curva final, não aguentei mais. Comecei a chorar que nem criança! Seguindo em frente e soluçando! O corpo todo arrepiado. E a vitória de chegar! Realmente é uma vitória! Uma emoção indescritível! Tem que sentir e vivenciar para se ter uma noção de como é completar uma maratona. E agora poder falar: “sou um maratonista!”

Gostaria de agradecer a todos que me ajudaram nessa jornada. Adriano e Rogério pelos treinos, que muitas vezes parecem duros (na realidade não parecem, são mesmo!) mas que mostram o resultado. A todos os colegas de equipe que incentivaram a encarar essa loucura e que me apoiaram direta e indiretamente, transformando-a em realidade e que não irei citar nomes pois acabarei sendo injusto me esquecendo de alguém, e para Erika, minha esposa, que além de me incentivar e me forçar a correr mesmo quando estava com preguiça, me ajudava nos alongamentos quando eu chegava em casa duro que nem pedra, e cuidava para que eu sempre estivesse pronto para o próximo treino. Sem você, isso não seria possível. Muito obrigado!

E parabéns a todos que estiveram lá! Completando ou não a prova. Cada um sabe a dificuldade que é! Eu vi diversos corredores desde o 25 com cãibras, alongando, caminhando, mas ali! Lutando contra si mesmo para completar a prova. Infelizmente não fez o frio que esperávamos, pelo contrário… fez até calor. E isso faz com que alguns corredores passem mal. E aqui vem minha única crítica com relação a organização da prova. Erika me contou que diversos corredores passaram mal perto da chegada, mas a ambulância não conseguia chegar até o local. O atendimento médico estava muito fraco, não tendo equipe suficiente para atender a todos os corredores. Isso é algo que deve ser revisto para um evento desse porte, que atrai atletas de diversas regiões do país e de outros países também, como nossos “hermanos” argentinos, uruguaios e paraguaios, que estavam presentes na prova.

E você, participou da Maratona? Deixe aqui seu relato da prova! E veja seu resultado clicando aqui! Agora continuar os treinos, pois tenho mais uma maratona em vista nesse ano! Buenos Aires, me aguarde!!


Responses

  1. É isso ai Bira, mas como falamos naquela época a parada é dura mas com perseverância chegou lá! Bela narratória, claro que não vai parar por ai mas está no seleto grupo de maratonista, o que vem pela frente não sei, mas a partir de domingo te considero um corredor completo, parabéns!

  2. A propósito, pode mudar o nome do blog:

    “A VIDA DE UM CORREDOR EXPERIENTE”

    abs

  3. Boa Bira!! Parabéns pela coragem, disciplina e perseverança. Tb concordo com a mudança do nome do blog…já não combina mais com seu atual status de corredor!!

    Abraço
    Rapha

  4. Bira,

    Sensacional ! E isso aí !
    Com calma chegamos ao longe e bota longe nisto (42,195 km)

    Abraço,

    Basile

  5. Biiiiiiiira,
    Finalmente estou aqui dando uma olhadinha.
    Tô chocada!!!
    Além de estafada só de acompanhar virtualmente a maratona… hehehe
    E olha, não só pela maratona, mas pelo que tenho visto de suas “empreitadas” na corrida, concordo com o povo aí de cima, é preciso rever o nome do blog!
    Agora… explica para uma leiga no assunto: acho que até entendi mas o que é um muro? e por que justo o azul??? eu já pegaria esta cor porque adoro azul… kkkk
    bjaum
    Marcia Marina

  6. Oi Márcia! Esse “muro” é uma barreira que ocorre depois do km 30 normalmente. Nem todo corredor sente, mas é quando você está vindo bem, com passadas firmes e de repente (mas é de repente mesmo!) seu ritmo começa a cair e começa a se sentir bastante cansado!
    Com relação ao isotônico eu passei pelo verde que associei a limão… o laranja que associei a tangerina (ou a laranja), mas e o azul, associo com o que??😛
    Sinceramente não sei de que era aquilo, mas que me deu um alivio naquele momento, deu mesmo!!

  7. […] um acréscimo na distância percorrida. Na primeira etapa (que não participei por coincidir com a Maratona de Porto Alegre) foram 5 e 10 km. Nessa segunda etapa foram 5 e 10 milhas (8 e 16 km, respectivamente). A próxima […]

  8. […] minha meta, mas fiquei muito contente com meu resultado! Foram 6 minutos a menos do que na minha primeira maratona, em Porto Alegre. Cheguei cansado, mas não tão acabado! No outro dia só estava sentindo um incômodo por causa de […]

  9. […] consegui participar das 3 etapas da prova (a primeira eu faltei por ter acontecido no mesmo dia da Maratona de Porto Alegre), mas com certeza esse circuito estará no meu calendário de […]

  10. Amigo, se o Bom Deus quiser farei POA este ano…Qual o hotel que ficou perto da largada? Que capsula de sal é esta que não encontro por aqui???

    • Olá Alex! Eu me hospedei no Arvoredo Residence, da rede Master Hoteis (que foi a rede de hotéis oficial do evento no ano passado). Eu não tenho o que me queixar do hotel, além de ser muito perto da chegada/largada! Fui e voltei andando de lá!
      A pastilha de sal que utilizo é a Electro++, da Nutrilatina Age. Dá para comprar pela internet em alguns sites, como no Ativo.com e no Saúde Já. Eu nunca comprei online. Sempre achei nas lojas de suplementos próximas de minha casa. Entre os sabores, nenhum dos dois disponíveis (Laranja e Uva) são bons, mas o de laranja achei menos pior! Achei um ótimo complemento para as corridas longas. Sempre que corro acima de 21 km eu tenho usado.
      Bons treinos para POA! Abraços.

  11. Caro Bira
    Como vc já é um corredor experiente, ao menos na Maratona de POA, gostaria de saber se vc pode me ajudar com uma dica, já que vou correr lá pela primeira vez agora em 2011.
    Tenho meu vôo de volta à SP marcado para um horário muito próximo ao final da prova, portanto, pretendo ir direto de lá para o aeroporto. Então gostaria de saber se é possível tomar uma ducha na chegada da prova, algo como um chuveiro ao ar livre. Sabe se isso é possível? Te pergunto porque havia esse chuveiro quando corri a Maratona de Foz do Iguaçu.
    Grato

    • Olá Eder, tudo bem? Infelizmente não lembro de ter visto chuveiro na região da chegada da maratona… mas também não procurei nada do tipo já que eu estava hospedado perto da chegada. Aconselho você procurar hotéis ou pousadas pela região da largada (soube que mudaram de lugar a chegada esse ano) e ver quanto eles cobram para tomar um banho. Acho que seria a melhor coisa a fazer.
      Abraços, e uma ótima maratona!

  12. Olá Biom dia!
    Vou participar este ano no dia 22 de maio da maratona de POA..será minha primeira…parabéns pelo seu relato…
    Quanto a hotel, que opiniao vc me daria quanto ao Hotel POA residence, em relaçao a localizaçao da prova e segurança?
    Obrigado,
    Marcio Tavares

    • Olá Márcio. Infelizmente não conheço direito Porto Alegre… só fui duas vezes lá, sendo uma quando eu era criança e outra para fazer a maratona. Não fiquei nesse hotel, mas pelo que eu pude ver no mapa, parece ser próximo da região da largada.
      Com relação a segurança, não saberia dizer, exatamente por não conhecer. Mas eu diria que é bom tomar cuidado de noite, como em qualquer cidade que não se conhece bem.
      Tenha uma ótima maratona!
      Abraços.

  13. […] médio de 05:06/km (21″/km a menos do que em Buenos Aires e 55″/km a menos do que em Porto Alegre), sendo que o maior longo de 32 km corri a 05:15/km, que será meu ritmo pretendido de […]


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